Faz três meses o Padre Antônio passou a mão no pescoço e sentiu um caroço pequeno. Não deu bola. Achou que ia sumir sozinho.
Em um mês tinha triplicado, depois dos exames, ele foi chamado, e disseram que era um tumor, em estágio avançado.
Ele voltou pra paróquia sozinho e se ajoelhou diante do sacrário. Passou quinze anos rezando ali. Foi a primeira vez que rezou pra ele mesmo.
Começou o tratamento. O corpo foi respondendo em silêncio o peso caindo, a cabeça confusa nos dias piores, a voz falhando no meio da missa.
Na semana passada o cabelo começou a cair. O Gabriel, coroinha de quinze anos que o padre batizou, chegou na paróquia com uma máquina de barbear na mão e raspou a cabeça na frente dele.
Essa semana ele foi chamado de novo. O tratamento não resolveu. Agora só sai com operação, e ele tem no máximo sessenta dias pra fazer.
O valor da operação passa muito do que o padre e a paróquia conseguem juntar.
O corpo dele já avisou tudo que tinha pra avisar. O caroço tá lá, o cabelo caiu, o tempo apertou.
Padre Antônio batizou, casou e enterrou gente dessa paróquia por quinze anos. É o pescoço dele agora que precisa que alguém apareça do outro lado.
Se quiser fazer parte dessa jornada, e correr com o Padre Antônio, tudo pode começar aqui em baixo: